Sobrinha:
Não vejo a hora de saíres da incubadora, para te poder pegar e dar beijinhos!
Tens um mundo para ver e descobrir, vais ver que vai ser uma aventura fantástica!! Com os genes que tens, de certeza que vais amar descobrir a praia! Os peixinhos, a areia, as algas, as pocinhas, o sol a aquecer-nos a pele... A tua mãe também adorava o campo em pequena, eu, nem tanto, sempre gostei mais de praia. Vais descobrir as florzinhas, com as suas cores vibrantes, as abelhas(...), e quem sabe, algum riacho, se ainda existir algum do qual possas chegar perto. Quando eu e a tua mãe eramos pequenas, havia.
Mas pelo menos no Gerês ainda há, e noutras serras distantes. Será que vais comer bagas colhidas de arbustos e até flores, como fazia a tua mãe?
Não sei, mas de certeza que te vão pôr em contacto com a natureza, como fizeram connosco, quando éramos pequenas. Apesar de sermos da cidade.
De qualquer forma, não te assustes quando vires o mundo, especialmente aquelas coisas tão feias que geralmente se vêem na televisão, hás-de ter sempre alguém por perto para te apoiar, não duvides!!
Sê bem vinda a este mundo!!!
De resto, vi outro dia um programa de macacos, que vem confirmar a ideia sobre os irmãos mais novos, confirmando por sua vez, a fraca auto-estima que por vezes nos assola: A mãe macaca ensinava a filha mais velha a partir uns frutos, e o pequeno lá atrás balouçava-se numa corda, e de vez em quando sacava uns frutos da lição. Típico. É por isso que só há pouco tempo sei fazer um arroz.
Agora, vou tomar um lexotan (é dose fraca) a ver se durmo tipo pedra. Com o vinho do Porto deve ficar bom. É que estou a precisar. Amanhã (hoje) não trabalho, depois se não conseguir sair de casa venho aqui dizer que tal o efeito.
Outra música que me ocorre muito, já desde longos tempos, é: «Amor você mi dá água na boca, fazendo acrobacia, tirando a roupa... mania de você, d´i á genti tanto si beijar, e tanto imaginar, loucura(s)...» Não sei porquê.
Também tenho andado a pensar que os «gajos» são infiéis, porque simplesmente estão com vontade de algo diferente da namorada/mulher, que entretanto no subconsciente já se transformou na mãezinha sem a qual não podem viver sem. As «gajas», também não é muito diferente, diga-se de passagem. Conforto VERSUS Luxúria. Com a idade, acho que a maior parte das pessoas só cede á luxúria se fôr mesmo de alto nível, porque já viram que não vale a pena por causa de um «clic» qualquer andar durante uns tempos a olhar para a «mãezinha»/«paizinho» cheios de dó por causa disso. Depois claro, há sempre casos mais graves, mas acho que não é a maioria.
Este vinho do Porto sabe mesmo bem, ao tempo que já não bebia um pouco...
Apetece sobretudo nos dias em que estou mais subjectiva (e em conflito com a objectiva), já que devaneios tenho a quase todos os momentos. Será que toda a gente é assim? Estou a trabalhar, a estudar, a conduzir, a ler, a ver televisão, e de repente... lá vem a outra parte, aquela que não é automatizada, tás a ver? Ou então também me dá muito para o lado musical, ultimamente ouço muito o meu cérebro cantar «muda de vida, tu não vives satisfeito, muda de vida...blá, blá», não que ande insatisfeita, excepto com os horários...
Na minha estadia em Lisboa, por vezes passava de carro por uma rua, que se chama: Rua Azedo Gneco. Desculpe??? Nunca um nome de rua me fez rir tanto, nem a recente rua no Porto, de seu genial nome, Rua Voz dos Ridículos (eu sei, é um programa de rádio, mas poupem-me...).
Entretanto, dei-me ao trabalho de ir ver quem foi Azedo Gneco, e para que conste, segundo o Google: «A primeira organização partidária do movimento socialista em Portugal foi criada, em 1875, por Azedo Gneco, Antero de Quental e José Fontana, entre outros.» ... ; e também: «Noutro registo ideológico, encontravam-se os socialistas não marxistas, os socialistas
marxistas liderados por Azedo Gneco, assim como os anarquistas ...»
Pronto, era um socialista marxista.